A preparação de um delicioso drink, que aguce o paladar e surpreenda pela beleza e aroma não é tão simples como a maioria das pessoas imagina. Além do equilíbrio de idéias, é necessário harmonia de sabores e um destilado competente; que não roube a cena das iguarias escolhidas para se preparar a bebida. Assim como um chef de cozinha, o profissional precisa se dedicar bastante e experimentar sem medo do resultado. Tradição, releituras e criações também são possíveis no mundo das bebidas.
Para provar toda essa teoria, a final do concurso “Cabana Cachaça World Cocktail”, realizada na última sexta, no Rio de Janeiro reuniu premiados bartenders de Nova York, São Francisco, Miami, Charleston (Carolina do Sul) e Londres (Inglaterra). Representando o Brasil, Alex Miranda do Fasano Al Mare e Lucíula Martins do Mr. Lam. Entre os jurados, Deise Novakoski - gerente e consultora de cachaça, da Academia da Cachaça -, Pedro de Lamare - restauranteur do Gula Gula -, a jornalista americana Jen L. Karetnick - editora da Wine News -, entre outros.
Animados com o evento, cada competidor teve 10 minutos para criar uma bebida, utilizando até sete ingredientes, sendo dois obrigatórios: Cabana Cachaça e outro elemento surpresa sorteado na hora. Diante da criatividade dos profissionais, a comissão de júri degustou os drinks e escolheu o “Earth Wind & Fire”, uma alusão à banda disco dos anos 70, preparada com Cabana , maracujá, limão, pimenta, Blackberry Jam e tomilho.
Gabriel Orta, americano de origem colombiana, semifinalista da etapa de Miami (Flórida) foi o grande vencedor. “Fiquei muito honrado por receber este prêmio. Estou realmente muito feliz e espero levar essa experiência para o meu trabalho lá fora”, disse o campeão. Ele é mixologista do Florida Room, de Miami, e sócio do BAR LAB, consultoria especializada na implantação de bares e em criações de coquetéis.
O segundo lugar ficou com o carioca Alex Miranda, do renomado Fasano Al Mare. Seu drink, o “Cabatini” foi feito com Cabana, melancia, pimentão rosa, uva, limão e clara de ovo. “Competir com essas feras internacionais foi realmente um grande momento para mim. Melhor do que ficar entre os primeiros nesta competição foi a oportunidade de trocar experiência com eles”, disse o bartender carioca.
O terceiro colocado foi o americano Gardner Dunn, do restaurante Elizabeth, de Nova York. Ele criou um duplo coquetel, o “Obana”, uma brincadeira com o nome do presidente eleito dos Estados Unidos. No drink, o destilado foi misturado ao morango frozen, açúcar, pimenta rosa, clara de ovos, além de preparar uma espécie de “sub-drinque” em uma colher para ser saboreado juntamente com o outro, contendo gengibre, cachaça, melancia e açúcar batido congelado.
O objetivo do evento, segundo o empresário João Pedro Simonsen, era difundir a cachaça brasileira de qualidade para Estados Unidos e Europa. Em seguida, já com reconhecimento internacional, a bebida chegaria ao Brasil. “Nós fizemos alguma mudanças, mas sem perder a personalidade da bebida. A Cabana é bi-destilada em alambiques de cobre e armazenada em tonéis de madeira jequitibá por seis meses e, por isso, conseguimos um sabor maleável e suave. Pode-se utilizar em qualquer drink, sem roubar a cena. É uma bebida na medida certa para quem deseja novos sabores e novas experiências”, explica o sócio brasileiro.
Junto com o americano Matti Antilla, João Pedro conseguiu atingir sua meta. O produto, genuinamente brasileiro, realizado em Jaguariúna, no interior de São Paulo, tem espaço garantido nos bares e restaurantes do exterior. A próxima etapa é conquistar o Brasil. Para o empresário, este tipo de competição só traz benefícios para o país e coloca a cachaça em posição relevante no circuito internacional. “Afinal no Rio de Janeiro foi definitivamente um grande evento, trazendo os melhores bartenders do mundo para uma disputa com dois profissionais da terra da cachaça”, conta.
Texto: Juliana Esteves
Foto: divulgação
Equipe Malagueta
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