David Fishman, menino de 12 anos do Upper West Side, em Nova York, faz visitas a diferentes restaurantes, analisa o cardápio, prova os pratos, faz suas observações em um caderninho. No fim, a mãe vai buscá-lo na porta do restaurante. As críticas são publicadas com pontuações diferenciadas e divididas por categoria. Educado, o pequeno gourmet chama atenção pela postura apresentada e começa a ganhar atenção dos chefs de cozinha.
Quando crescer, ele quer ser crítico gastronômico e acredita que pode viver como tal, escrevendo para guias como Zagat - publicação com restaurantes e entretenimentos das principais cidades norte-americanas, com destaque para Nova York, criado e publicado a partir de 1979 por Tim e Nina Zagat.
A chance veio, David não titubeou e aproveitou a oportunidade de estar só e degustar receitas sem interferências de adultos. Uma noite dessas, os pais ligaram e avisaram que chegariam atrasados em casa. O garoto foi autorizado a comer fora. Os responsáveis aconselharam que pedisse algo para viagem no costumeiro comida-árabe da vizinhança. Árabe, de novo? Questionou o menino.
Sua vontade era conhecer a recém-inaugurada Salumeria Rosi, casa italiana, especializada em embutidos, a poucos quarteirões de casa. Dias antes, o rústico e charmoso ambiente chamou sua atenção. O pequeno crítico ficou impressionado com a parede negra espelhada, peças de porco seco penduradas no teto, pequenos potes de azeitonas e alcachofras enfeitando as paredes.
Decidido, conversou com os pais e conseguiu o que queria. Foi ao novo point italiano na Av. Amsterdam, perto da Rua 73. Era uma das primeiras terças-feiras abertas ao público, muitas mesas estavam reservadas para amigos do chef e proprietário, Cesare Casella, o empresário toscano por trás do Maremma, no West Village. O ator de televisão e cinema Tony Danza era presença certa, mesmo assim, David não ficou intimidado.
Ele pediu uma mesa e a hostess o recebeu, era seu primeiro cliente com menos de 1,40m. Mas, já que a casa aguardava alguns clientes, eles fizeram um acordo. O menino deveria terminar a refeição às 20h. David ficou surpreso. Um ano antes, tentou entrar em um restaurante em Montauk. Embora só metade das mesas estivesse ocupada, não serviam crianças sozinhas. “Fiquei com raiva, mas não mostrei. Que podia fazer?”, conta o menino.
David estudou o menu e decidiu que estava dentro de seu orçamento (US$ 25). O pequeno chamou atenção de todos. Onde estariam os pais? Estava gostando da comida? Ia pagar em dinheiro ou cartão? Apesar de sua paixão ser frutos mar; ele pediu prosciutto, uma especialidade do restaurante, mais insalata di rucola e parmigiano.
Um jovem casal ofereceu mousse de chocolate. Ele relutou no começo, mas não resistiu. Aceitou e em troca, o casal provou sua salada. A ousadia do pequeno crítico instigou os cozinheiros, que enviaram uma dobradinha de cortesia. David gostou do prato, mas não foi seu favorito. Ficou surpreso quando soube que dobradinha é intestino cozido. “Intestino de quê?”
O chef também admirou a ação de David, foi cumprimentá-lo e ofereceu-lhe um delicado gianduia, para viagem. O restaurante não servia gelato, o que desapontou um pouco. Mas ficou contente ao ganhar pontos com Casella quando mostrou que conhecia um pouco da cozinha italiana.
Após as prova, em seu bloco de capa de couro, estilo crítico-de-restaurante, escreveu: “Boa variedade”, “Música suave de jazz. Parecem gostar de crianças, sem exagero”. Em suas palavras, o menino mostra que tem jeito para coisa. Apesar de participar de atividades extra-curriculares, culinária é o grande amor de David.
Aos 6 anos, ganhou uma competição de bolo de forminha promovida pela rede Crumbs Bakery, com seu bolo Peppermint Patty. “Ele me lembra de como eu era quando jovem”, disse Casella, que costumava se aventurar de carro pela Europa em busca dos melhores restaurantes. “David é tranqüilo e mais seguro de si do que eu era.”
A crítica é publicada em seu jornal particular, no estilo guia Zagat. Pela comida, a Salumeria Rosi ganhou 24 pontos na escala até 25. Pela decoração, 23 e o serviço, recebeu 21. David escreveu que o pão demorou um pouco para chegar à mesa. “Concordo”, admitiu Casella ao ler a crítica. “Estamos corrigindo isso.” No fim, o crítico-mirim conclui: “Logo este será um dos lugares mais quentes da cidade”
Fonte: Estadão
Equipe Malagueta
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