Na paisagem semi-árida do sertão baiano, os liculizeiros fazem parte do bioma da caatinga. A palmeira, que mede até 11 metros, produz uma amêndoa chamada licuri, que passou a ser valorizada por um grupo de mulheres do município de Capim Grosso, no Norte da Bahia, localizado na Região conhecida como Piemonte da Diamantina. Há 11 anos, a apicultora Josenaide Alves decidiu explorar o sabor do licuri, antes comercializado in natura por um preço muito baixo, sem valor agregado.
O fruto é muito utilizado na indústria de produtos de limpeza, fabricação de graxa de sapatos, papel carbono e móveis. Mas Josenaide, que ministrava cursos de culinária com o licuri para os produtores, começou a fazer experiências gastronômicas com a amêndoa de sabor doce, parecido com o coco. “Resolvi torrar e guardar num pote de vidro para testar a durabilidade”, diz. O bom resultado motivou a apicultora a trabalhar com os derivados do licuri. “Não me conformava com o preço pago pelo licuri quebrado, vendido por R$ 1 o quilo e ninguém sabia para onde era levado”, conta.
Hoje, a linha de produtos exclusiva da Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes) produz azeite, óleo, leite, granola, biscoito, cocada, farinha, licor e licurimel (pasta de licuri com mel), que são comercializados em feiras, eventos e na própria cooperativa, fundada desde 2005. Destaque para granola, uma mistura com tapioca, rapadura, castanha de caju e gergelim. “As trabalhadoras ficam felizes porque o licuri está ficando famoso”, afirma Josenaide, que preside a cooperativa há 3 anos.
Na culinária, o fruto é usado em peixes, galinha, arroz e feijão. “Incentivamos na alimentação porque é muito nutritivo, contém ferro, cálcio, manganês e betacaroteno. É bom para saúde”, completa a professora. O trabalho desesenvolvido por esta empreendedora do licuri reúne 150 sócios cooperados, com 450 famílias beneficiadas e cerca de 2 mil pessoas produzindo o licuri. Entusiasmada, a presidente comemora a produção de 1 tonelada de licuri torrado, em 2008. Outra conquista do grupo é o fornecimento de 30 toneladas de biscoito para a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Os frutos do licuri já foram apresentados em três edições do encontro Terra Madre, em Torino, na Itália, promovido pelo movimento ecogastronômico Slow Food. “As produtoras vão se organizando e mudando sua condição de vida. Tem gente que passava fome. É uma satisfação ver que o licuri mudou a nossa vida. Eu vivo do licuri”, finaliza. A biodiversidade brasileira surpreende pela qualidade e possibilidades de usos e aplicações. O liculizeiro não é apenas parte da paisagem do semi-árido. É uma maneira singular da população nativa relacionar cultura e natureza; tradição e economia, o que confere identidade e resgata o valor local.
Equipe Malagueta
Texto: Juliana Dias
Revisão: Juliana Esteves e Viviana Navarro
Edição de imagens: Carolina Amorim
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dezembro 4th, 2008 às 22:54
Duro de quebrar, delicioso de comer: muito bom esse coquinho que no Brasil também é encontrado com os nomes de ouricuri,aricuri e nicuri. Possivelmente outros…
dezembro 7th, 2008 às 10:09
Uau!! adoro poder experimentar um produto brasileiro que não conheço. Moro no Rio e gostaria muito de experimentar esse coquinho. tem chances dele ser retirado da casca sem ter que passar pelo fogo? Onde posso comprá-lo?
janeiro 3rd, 2009 às 11:52
Olá Juliana!
Sou repórter da revista e programa Terra da Gente. Neste momento, estou escrevendo um matéria sobre a palmeira Licuri. Gostaria de entrar em contato com a apicultora Josenaide Alves, de Capim Grosso, Bahia. Você poderia me ajudar?
Obrigada
Maraísa
Capim Grosso, no Norte da Bahia, localizado na Região conhecida como Piemonte da Diamantina. Há 11 anos, a apicultora Josenaide Alves
fevereiro 7th, 2009 às 23:21
O licuri pode ser saboreado de várias formas:
pode chupar o coquinho quando madiro;
pode cozinhar e comer a amêndoa;
pode assar e comer também a amêndoa;
pode quebrar o coco seco e saborear;
o leite é uma delícia, no peixe, no frango, no arroz;
o cacho do licuri, as palhas e as conchas servem para ornamentar festas juninas;
com as amêndoas secas faz-se: cocadas;
pisadas no pilão mistura-se com farinha de mandióca e aç~icar e faz farinha doce, ua delícia;
torra-se as amêndoas e faz óleo para o cabelo e com esse óleo muitas pessoas curam feridas;
na seca a palha de licuri serve de ração para o gado;
o picolé, o sorvete e o geladinho do ouricuri são bem vindos no verão;
as palhas também é muito utilizadas para fazer vassouras, abanos, esteiras etc.
com as buzas faz se copos para beber água;
na falta de pratos, pode se utilizar as concas, huum a comida parece ficar mais gostosa, “nesseuntesílio”;
com as amêndoas fazemos colares e puseiras e na hora da merenda pode saborear;
se não quiser cozinhar as amêndoas verdes no fogo, pode guardá-las no congelador, com dois ou três dias elas estão “cozidas” soltando da casca;
Com as palhas muita gente pobre em épocas passadas faziam coberturas e paredes nos seus ranchos de moradia.
setembro 5th, 2009 às 0:59
josanaide sou da cidade de morro do chapeu Bahia,moro em uma comunidade onde a vegetaçao predominante e o licurizeiro. Mas a comunidade apenas usa a amendoa para o consumo animal.gostaria de saber se a cooperativa promove cursos , e como podemos conseguir. parabens pelo belo trabalho.
outubro 15th, 2009 às 16:27
Sou jornalista e estou pesquisando frutos, codimentos, e outros vegetais que podemos empregar na culínaria. Como saber mais e também como adquirir os produtos do licuri. Desde já agradeço. Everton.