A publicidade da indústria alimentícia para o público infantil está ajustando suas estratégias para driblar a pressão global de associações de consumidores. O desafio é continuar a divulgação de seus produtos, contextualizado com as preocupações com a alimentação. A medida, adotada por gigantes deste segmento como Coca-cola, General Mills, Danone, Pepsi, ganhou a adesão da Nestlé. O termo de compromisso faz parte do acordo internacional EU-Pledge, que contempla ações promocionais de divulgação de alimentos para crianças.
Este mês, a empresa anunciou sua política de auto-regulamentação em relação à comunicação para menores de 12 anos no Brasil. Entre as mudanças, está vetada a veiculação de campanhas e ações integradas direcionadas para crianças de até seis anos. Também haverá restrição para a publicidade às crianças entre seis e 12 anos.
Agora, os pais serão o foco das peças publicitárias e, por isso, a veiculação das propagandas será em programadas para adultos. Na lista de 140 produtos da multinacional, os principais atingidos pela mudança são Chamyto, Petit Suisse, Ninho Soleil e Nesquick.
Segundo a antropóloga e professora da UFF (Universidade Federal Fluminense), Laura Graziela Gomes, essa medida transfere para os pais a responsabilidade na tomada de decisões à respeito do consumo alimentar infantil. “As escolhas alimentares se transformam em assunto de família. Por outro lado, não acredito que vá minimizar os problemas existentes porque a falta de educação alimentar é um problema justamente dos pais e não das crianças”, conclui.
De acordo com o diretor de comunicação e marketing da empresa, Izael Sinem, a auto-regulamentação não vai trazer impactos sobre o orçamento, estimado em R$ 200,00 milhões ao ano, no país. Ele explica que a companhia tem um conjunto de meios e diversas opções para falar com o consumidor e aponta a internet como o principal deles.
Conforme orientação da fabricante, a comunicação deve encorajar a moderação no consumo, hábitos alimentares saudáveis e atividade física; não deve diminuir a autoridade dos pais; não deve criar expectativas irreais; não deve criar dificuldades na diferenciação do conteúdo do programa infantil e da publicidade; não deve utilizar personagens de programas que não sejam licenciados pela marca e pode promover atividades em escolas apenas com consentimento prévio da administração da escola, entre outras regras.
A organização de atividades em escolas já é um prática de empresas como a Bauduco. Este ano acontece a sexta edição do campeonato de futebol FutCup, que reúne 70 mil alunos de algumas das mais tradicionais escolas do país. É mais uma possibilidade para marketeiros e publicitários driblarem o cerco à propaganda infantil. Este é o primeiro ano em que a Bauduco participa como patrocinadora para promover nesta mídia alternativa o seu biscoitinho recheado, lançado em 2008.
Segundo o gerente de marketing da Baudcuo, Piero Franceschi, o produto é mais saudável que a média da categoria “porque não tem gordura trans, possui 60% a menos de gordura saturada, menos açúcar e alguns sabores trazem polpa frutas”. A atividade engloba também pais e professores, atingindo 300 mil pessoas. As novas alternativas para a publicidade exige dos novos consumidores (bem informados) estratégias com a mesma habilidade e criatividade para fazer escolhas, que impulsionem mudanças relevantes para o consumo alimentar.
Equipe Malagueta
Texto: Juliana Dias
Fonte: Valor Econômico e Ad News
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