Vem por aí o guia Michelin Rio. Carlos Eduardo, Monica e a Milly, minhas fontes quentíssimas da Michelin Brasil, mandam avisar que os inspetores já estão em campo, mas não para avaliarem os restaurantes da cidade.
O que vai ser editado aqui, em parceria com o governo do estado, é o Guia Verde, que é de turismo. E não o Rouge, exclusivíssimo de gastronomia. Ainda não foi dessa vez.
O Verde trará os melhores programas da cidade e algumas indicações de hospedagem e de restaurantes do Rio e arredores. O Carlos me contou que uma das primeiras coisas que um inspetor faz quando entra num quarto de hotel é levantar a colcha e ver se a turma varre debaixo da cama. Adoro essa história. Passei a fazer exatamente o mesmo. Confiro logo.
Bom, prá ajudar o povo, tenho alguns candidatos e ambas com chão varridíssimos! Começo por Búzios, com as Casas Brancas (demais) e a Apa Pau Brasil, resort que passei a virada de 2009. Não conhecia e me encantei Os donos são os mesmos do Tankamana (Araras) e Solar do Império (Petrópolis). O lugar é um charme, com direito a praia particular….
O chef pâtissier é belga, Bertrand Materne, que faz dos pães aos bolinhos, ricota, iogurte… Tem praia particular, a de Caravelas. Linda… À noite, espalham tochas pela areia. As fornadas são especialiíssimas. Onde mais se come pizza na areia, com tochas acesas, ventinho e brisa do mar batendo? Ah, e tem carta de vinho bacana… O pizzaiolo Antonio Lo Presti comanda as fornadas ao cair da tarde. São espetaculares. Marcilio veio da Cappricciosa de Buzios. Ele tb coloca a mão na massa. Claudia Mascarenhas e Bertrand Materne assinam o cardápio do hotel. Impecável.
Arô arô inspetores da Michelin: o Apa Pau Brasil (tem Pau Brasil mesmo pelo terreno) fica na praia de Caravelas (www.apapaubrasil.com.br).
E mudando de conversa, não sei da onde vem o hábito de misturar leite ao chá. Falo disso porque a Renata Magdaleno, da Zahar Editora, me pediu uma opinião sobre o assunto, por conta do lançamento do livro “Uma senhora toma chá”, que nada tem a ver com gastronomia: é um livro científico, que mostra como a estatística revolucionou a ciência no século XX. É de David Salsburg e está entre as novidades do site da Zahar. Não sou especialista em chá, apesar de adorar. E nem sei da onde vem o hábito de combinar os dois. Até gosto, mas acho que misturar leite em um chá bacana devia ser probido!O leite, claro, vai maquiar o sabor da folha. E se ela for boa, puxa vida, por que não curtir o sabor dela por inteiro, sem interferências? Acho que os ingleses, como tomam chá como água, colocam o leite para atenuar a acidez da bebida. sei lá se é isso, mas pode ser por aí…
Aliás, não sou muito de misturar as bolas. Azeite, por exemplo. Claro que são deliciosos os aromatizados com limão siciliano, ervas mil, trufas e outras coisas mais. Mas o bom azeite, bom mesmo, não traz nenhum sabor além do da azeitona (que já tem nuances mil). Azeite trufado tem gosto de… trufa! Não tem de azeite. E por aí vai.
Acho que isso vale para tudo. Um bom café, blend daqueles bacanérrimos, dispensa leite, creme, canela e qualquer outro froufrou.
O site da Zahar é bacana. Lá vai:www.zahar.com.br/catalogo_exclusivo.asp
* Luciana Fróes é jornalista e crítica de gastronomia do jornal O Globo, e assina o Blog Luciana Fróes
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