No ano da França no Brasil, a primeira homenagem para brindar a harmonia entre os dois países acontece na mais famosa festa brasileira: o Carnaval carioca. A Acadêmicos do Grande Rio vai retratar o luxo e a nobreza da corte francesa, que influenciou o Rio de Janeiro, durante o século XIX. No próximo domingo, dia 22, a escola apresenta o enredo “Voila, Caxias! Para sempre liberté, egalité, fraternité. Merci beaucoup, Brésil! Não tem de quê!”.
O samba-enredo exalta a figura de Luiz XIV, o rei sol, que introduziu a cultura como política de Estado, valorizando as artes em geral como a moda e a gastronomia: “Champagne, um baile pra comemorar”, diz a letra. Esse é o convite para festejar o requinte, o glamour e a ostentação. A composição também destaca a exuberância da Cidade Luz que iluminou o Rio: “Quando eu sentia seu perfume pelo ar/ a Ouvidor era Paris a desfilar”.
No quinto setor da escola, intitulado “Da Paris Carioca à Eterna Paris”, o carnavalesco Cahê Rodrigues mostra o esplendor da Belle Époque carioca com seus cafés e cabarés, inspirados nos hábitos culturais franceses. Um das alas do setor será a Bon Appetit, que representa a gastronomia francesa. “A culinária é parte da cultura desse país, conhecida mundialmente por ser refinada e elegante, além da grande diversidade de seus pratos. Os chefs, assim como os pratos, são referência para todo o mundo”, explica Willians Alves, historiador da Grande Rio.
O clima carnavalesco entre os dois países também promete ser animado fora da avenida. O chef Roland Villard - embaixador da gastronomia francesa no Brasil - vai comandar a tradicional feijoada da escola de samba, que acontece no Hotel Sofitel, em Copacabana, no próximo sábado, dia 21. Para ele, a melhor feijoada é feita pelos brasileiros. Por isso, o chef diz que vai apenas coordenar sua equipe. “Quem mete a mão na massa mesmo é o meu braço direito, Reginaldo Lopes. Aprendo muito com ele e, um dia, quem sabe, farei uma feijoada tão gostosa como a do Reginaldo. Os cozinheiros brasileiros são muito bons e criativos, assim como os franceses. Temos que valorizar as pessoas com as quais trabalhamos”, declara Villard.
Outro evento será a quarta edição do Bal Masqué, o baile de máscaras do Sofitel. Este ano a atração principal será um show exclusivo com 30 bailarinas do tradicional Moulin Rouge, tradicional cabaré parisiense. Também estará presente a escola Acadêmicos da Grande Rio.
A gastronomia será a bateria da programação. Villard receberá o chef de cozinha francês que acompanha o ballet, Laurent Tarridec, para apresentar uma parceria ritmada e saborosa. No menu, buffet à francesa e uma viagem gastronômica pelos continentes. “Teremos desde o coq au vin e crepes até massas, sushi e sashimi. A ideia é que os convidados possam experimentar um pouco de cada coisa, da gastronomia do mundo”, explica o anfitrião. A dupla também preparou uma mesa de buffet inspirada na cor vermelha para homenagear o Moulin Rouge. Da toalha de mesa às comidinhas, tudo no mesmo tom.
Segundo o chef e embaixador, a homenagem na Sapucaí é importante porque trata-se de uma oportunidade para reforçar a conexão com os dois países, do ponto de vista cultural. “É um trabalho em conjunto e uma troca de valores. Ambos são extremamente criativos e têm um amor mútuo. O carnaval, com o desfile da Grande Rio, marca apenas o pré-lançamento do Ano da França no Brasil, que inicia a festa com muita alegria”, comemora.
Em 2005, quando foi celebrado o ano do Brasil na França, Villard conta que ficou orgulhoso de valorizar a cozinha brasileira. Atualmente, no Le Pré Catelan, restaurante do Sofitel, ele assina o menu “Viagem Gastronômica à Amazônia”, que tem feito sucesso. A comitiva francesa que veio ao Rio de Janeiro para abrir as comemorações do ano temático, ficou impressionada com a evolução entre as duas cozinhas.
Agora, o chef aponta que é a vez de valorizar os produtos franceses no Brasil. Para ele, a troca cultural é fundamental e poderia servir de exemplo para outros países. “Há uma ligação forte e constante troca entre os dois povos”, afirma. Há 12 anos, quando desembarcou no Rio, Villard diz ter encontrado o caminho aberto, por compatriotas como Claude Troigros e Laurent Suaudeau. Os grandes hotéis possuíam chefs franceses e sua gastronomia continua sendo referência, como avalia o embaixador. “Foi a partir daí que começou a sair na mídia, a ter o valor que merece. E a cozinha francesa é realmente muito rica e criativa, não tinha como passar em branco”, justifica.
A cumplicidade entre a França e o Brasil está estampada na paixão que os países nutrem pela cultura de um modo geral. Ambos transpiram diversidade e valorizam as manifestações regionais. E a gastronomia é apreciada como o centro principal das atividades. “O saber comer, o comer bem é valorizado tanto por franceses como por brasileiros”, finaliza o chef.
O lançamento oficial do Ano França-Brasil será em 21 de abril. Em 2009, seja na avenida ou na mesa, o país irá celebrar a fraternité e o bon vivant. Voila, Brésil.
Equipe Malagueta
Texto: Juliana Dias
Fotografia e edição de imagens: Carolina Amorim
Ilustração: Alexandre Cavalcanti
Revisão: Juliana Esteves e Viviana Navarro
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junho 22nd, 2009 às 20:19
Ameii estava fazendo trabalho de Geografia e vi essa página e gostei muito !