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Segredos de liquidificador

Tenho uma amiga que toda a vez que ela fica triste, assa um frango. Diz que é um santo remédio. Como não sou frangueira, prefiro seguir os passos da Ruth Reichel, autora de “Conforte-me com maçãs” e da Nora Ephron, jornalista novaiorquina, que a Rocco acabou de lançar aqui seu livro “O amor é fogo”, que devorei nesse fim de semana: quando as duas não estão bem, cozinham.

Inventam logo um prato. Os dois livros são autobiográficos. E as duas escrevem sobre gastronomia.

Pois bem, quando as coisas aqui para o meu lado não estão lá nenhum creme brûlè, também cozinho. Mal. Já contei aqui da minha incompatibilidade e estranhamento com algumas manobras culinárias. Receitas como “coloque tudo no liquidificador e bata cinco minutos” são a glória. Há outras que nem liquidificador leva. É o caso do couscous marroquino, o carro chefe lá de casa.

Depois de uma caminhada na Lagoa, fui na feirinha do Troisgros, que passa bem em frente ao Olympe, e me abasteci de alho-poró, mini cebolas, mini abobrinha, mini tomate, ervinhas mil. Depois, uma esticada até o Pão de Açúcar do Jardim Botânico, onde comprei o couscous. Ah, não contei que ganhei um kit fantástico do Blue Elephant, templo da cozinha tailandesa. David, no Nam Thai, mandou prá mim.

Bagas de cardamomo, anis estrelado, folhas da arvore curry, que nunca tinha ouvido falar (é muito usada na India e Sri Lanka), grãos de coentro, gergelim colorido, o yellow curry (demais!!!), folhinhas secas de limãp kaffir e dois livros preciosos: um só de temperos e outro só com receitas. E um aromatizador de cardamomo.

Usei algumas coisas da cesta e salpiquei com o curry thai que trouxe (sempre trago o mesmo) de Londres, que adoro e uso em tudo: nem ovo mexido escapa.

Por falar em ovo, eis como se prepara um ovo de quatro minutos perfeito: coloque o ovo na água fria e leve-o para ferver. Assim que começar borbulhar, desligue o fogo e tampe a panela. Espere 3 minutos e você terá um perfeito ovo de 4 minutos. Ou seja, o ovo de 4 minutos fica pronto em 3. Como eu gosto. A receita não é minha. É da Nora Ephron.

Outra terapia infalível: arrumar mesa, combinar guardanapo com jogo americano, com louça, com taças diferentes (é o jeito, já que quebro todas).

* Luciana Fróes é jornalista e crítica de gastronomia do jornal O Globo, e assina o Blog Luciana Fróes

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