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Suor, saúde, comida saudável e prazer

“Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida; coma uma variedade maior de alimentos; evite produtos alimentícios que aleguem vantagens para sua saúde”.

As sugestões acima são do jornalista Michael Pollan, autor do livro “Em Defesa da Comida” (Ed. Intrínseca), que promove um debate sobre o excesso de informações nutricionais de alimentos industrializados, os quais supostamente fazem bem à saúde. Com orientações práticas, Pollan abomina a Dieta Ocidental que, sob o rótulo saudável, busca credenciais na ciência, na nutrição e no marketing para justificar a venda de seus produtos.

O estilo de vida saudável exige preparação não apenas física, mas psicológica, para não cair na armadilha da indústria alimentícia. Ao entrar em um supermercado, há cerca de 40 mil produtos para dispersar a atenção do consumidor. E o bombardeio de informações sobre alimentos, comidas saudáveis e dietas é agressivo. O médico espanhol Iñigo Sainz - especializado em doenças crônicas como obesidade, hipertensão e diabetes - afirma que esse excesso de informação pode confundir.

Ele cita o sociólogo Barry Schwartz, autor do livro “The paradox of choice: why more is less”, que alerta sobre a abundância de produtos disponíveis. A visita ao supermercado transforma-se numa complexa decisão: demanda tempo e energia; gera dúvidas ansiedade e medo. “Parece que o excesso de informação nutricional ao invés de esclarecer, complica a vida”, afirma Sainz.

Incerteza alimentar: o que colocar no prato?
As pesquisas científicas reforçam o cenário da incerteza alimentar. A cada momento, um alimento é execrado da dieta, enquanto outros retornam como heróis. A escritora Jennifer McLagan saiu em defesa da gordura animal e lançou o livro “Fat - An Appreciation of a Misunderstood Ingredient, with Recipes”, para promover o consumo responsável e equilibrado da matéria-prima. Nos últimos 30 anos os açúcares, as gorduras industrializadas e as farinhas refinadas dominaram as dietas alimentares. O resultado, segundo especialistas, perdeu-se em sabor e ganhou-se em gordura industrializada.

Quem não quiser arriscar a gordura animal, pode experimentar a vegetal. Segundo a chef Tiana Rodrigues (Universo Orgânico), o óleo extraído do leite de coco resiste a altas temperaturas sem perder suas propriedades nutricionais. Na Alimentação Viva, especialidade da chef, o óleo é usado como manteiga, serve de base para bolos e vitaminas. Por não apresentar gordura trans, normalmente gerada durante o processo de hidrogenação, o óleo é considerado mais saudável que outros de origem vegetal, como os de soja, canola, milho e até mesmo o de oliva.

A nutricionista desportiva Luana Dalbem explica que cerca de 30% do valor calórico diário de alimentação deve ser proveniente de gordura. “Promovemos o aumento do consumo de gorduras saudáveis – monoinsaturadas – presentes no azeite, abacate, frutas oleaginosas (castanhas) e peixes (como salmão), fonte de ômega-3. Estas auxiliam na redução do colesterol dito ruim (LDL), além de auxiliarem no aumento do bom colesterol (HDL)”, afirma.

Entre os cardápios da moda está a Dieta do Clima, politicamente correta, que pode ajudar a salvar o planeta do aquecimento global. Com baixos teores de carne vermelha, no máximo 400g por semana. Especialistas afirmam que, se for adotada no mundo todo, a redução de emissões de gases-estufa seria da ordem de 10%; economia de cerca de 20 trilhões de dólares nos custos de combate à mudança climática.

Estilo: nutrição, saúde e gastronomia
No próximo dia 19 de fevereiro é comemorado o Dia do Esportista, categoria imprescindível para compor o visual “estilo saudável”. Mais do que praticar exercícios físicos, para ser um atleta amador ou profissional, é preciso compreender a nova dimensão da alimentação na vida contemporânea.

Para Raquel Botelho, coordenadora do Curso de Especialização em Gastronomia e Segurança Alimentar da Universidade de Brasília (UnB), os hábitos alimentares não podem ser dissociados da cultura. Ela afirma, ainda, que a alimentação é central no estilo de vida e não basta fazer apenas exercícios ou parar de fumar. O alimento sacia o corpo e a alma, refletindo no bem estar.

“Temos que tentar, dentro do nosso contexto, encontrar o balanço para uma alimentação saudável. Não dá para mudar radicalmente a dieta, perder peso e depois voltar ao que era e começar tudo novamente. Essas mudanças radicais só reforçam nosso lado cultural alimentar. As mudanças devem ser gradativas para que possam entrar no nosso mundo já construído, entende?Podemos adaptar receitas regionais, deixando mais saudáveis, podemos comer em menores quantidades, podemos trocar a forma de preparo, mas sem deixar muitos dos nossos alimentos favoritos”, avalia Raquel.

O desafio da alimentação de hoje é conciliar nutrição, saúde e gastronomia, sem abrir mão do prazer, da cultura e da tradição. A nutricionista Luana Dalbem afirma que a dificuldade é consumir alimentos saudáveis e nutritivos em refeições saborosas. “Isto pode ser alcançado por meio de uma refeição adequada - em termos nutritivos -, transformada em algo prazeroso, apetitoso. Precisamos, também, promover uma educação alimentar e nutricional, divulgando os aspectos positivos dos alimentos e, conscientizando a população dos benefícios do seu consumo”, explica.

De acordo com Luana, o esportista saudável é aquele que consegue aliar escolhas alimentares, que contribuam para melhoria da sua qualidade de vida e rendimento, sem radicalismo. Um exemplo são os suplementos alimentares, muito utilizados pelos atletas e esportistas. Entretanto, o uso indiscriminado desses produtos, sem nenhuma orientação, pode acarretar prejuízos à saúde, contrapondo quem busca um estilo de vida saudável.

Nutrientes ou alimentos? Como escolher a dieta alimentar? Segundo a nutricionista, o segredo de uma dieta saudável é comer toda variedade de grupos de produtos, na proporção determinada para cada faixa etária, sexo, idade, nível de atividade física, incluindo muitas frutas, verduras e legumes. E para conciliar nutrição e gastronomia, Luana sugere o uso de ervas e temperos naturais em saladas, massas, saduíches e carnes. Além de darem um sabor todo especial a preparação, ainda contribuem com suas propriedades nutricionais. “Uma outra dica importante é o modo de preparo e de apresentação dos pratos. Uma mesma refeição pode despertar o desejo por saboreá-la, ou não, dependendo da forma como esta foi disposta”, finaliza. A especialista Raquel concorda e diz que aliar os conceitos da nutrição para preparar alimentos mais saudáveis é o desafio das áreas da nutrição e gastronomia. “Quem não deseja ser surpreendido com uma refeição e ao mesmo tempo saber que ela faz bem para a saúde?”, sugere.

Equipe Malagueta
Texto:
Juliana Dias
Edição de imagens:
Carolina Amorim (Fotografia de Fran.Skaf )
Ilustração:
Alexandre Cavalcanti
Revisão:
Juliana Esteves e Viviana Navarro

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5 comentários sobre este Post

  1. Elber Diz:

    Sou nutricionista e atuo há mais de 10 anos em consultório. No começo havia preconceito em relação ao conhecimento de culinária dentro da profissão muito por causa do desconhecimento no passado acerca da função do nutricionista, mas isso mudou. Hoje reúno e corrijo receitas de introdução a hortaliças de forma disfarçada para pessoas que a rejeitam. Um dia vai chegar que o Chef de cozinha trabalhará com o nutricionista para somar conhecimentos de modo a fornecer alimentos com estas características:
    Saudáveis, gostosos, práticos, baratos, com propriedades nutracêuticas e pouco calóricos em sua maioria. Não será fácil mas será um grande trunfo para todos.

  2. Clarissa Diz:

    Carol e Ju,
    Adorei esse texto de vocês. Está muito bem redigido e mostra a valorização da nossa cultura tão rica. Devemos respeita-la! Parabéns!!
    Beijos
    Clarissa

  3. Rossanna Prado Diz:

    Olá, sou antropóloga e concordo com que hábitos de alimentação ñ podem ser dissociados de hábitos culturais. Hoje vemos mudanças muito rápidas e determinantes no dia-a-dia dos indivíduos que moram em cidades. Sobre as atividades físicas: muitas informações e relações sincronizadas (tempo cronológico, clima, locais fechados ou ao ar livre, instrução, equipamentos, acessos, deslocamentos, etc.)criam uma dinâmica “cansativa”, impedindo que se tornem um hábito saudável.
    Além do stress de abastecer com critério uma cozinha, há a sabedoria da preparação dos alimentos: requer prática, tentativa-e-erro e persistência, o que nem sempre é feito, dado o ritmo do cotidiano. As mães não mais cozinham - descongelam, montam e servem. Na animação “Coraline e o Mundo secreto” de H.Selick, a vilã conquista a criança com gostosuras caseiras, retomando a fábula de João e Maria. Como as crianças de hoje serão os gestores de amanhã, ensinar os valores e os prazeres da comida (econômicos, emocionais,culturais e intelectuais) é fundamental.
    As necessidades alimentares mudaram tanto quanto as atividades de geração de renda: para passar o dia frente a um terminal, ou atrás de um balcão, quantas calorias? E mais: quanta realização e prazer há nessas atividades diárias que ganhem do rápido prazer de derreter um brigadeiro na boca - e não uma fatia de melancia, que envolve comprar, carregar, cortar e se limpar?
    As cidades, hoje, têm temporalidades que definem a relação custo-benefício da alimentação. Cabe resolver as melhores combinações, ok?
    Atte.,
    Rossanna Prado

  4. Diógenes Diz:

    Comecei o curso de nutriçao e dietética, pois já atuo neste restaurante do sitio fazendo da mesma forma que minha Vó fazia conosco, e pude confirmar agora, como sempre foi balanceada e completa a forma que ela nos alimentava.Tanto no cardapio como na forma de preparo.

  5. erica Diz:

    para poder se alimenta saúdavel deve come frutas legumes e não pode comer nada de fritura mas se não aguenta come um pouco mas controlados pratos pequenos mas não um prato enorme

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