Considerado um grande vilão das dietas num passado não muito distante, o chocolate vem ganhando espaço no mercado e conquistando cada vez mais consumidores. E nesta quinta-feira, dia 26, é comemorado o Dia Nacional do Cacau. Nada mais justo do que prestar uma homenagem a esse fruto, produzido em grande escala no Brasil, servindo de matéria-prima em outros países.
Ilhéus, na Bahia, saúda a data com a Rota do Chocolate. Criada por empreendedores locais e a Secretaria de Turismo, o caminho mostra a história do cacau e dos lendários coronéis relatados por Jorge Amado. O visitante ainda poderá conhecer o processo do cultivo da fruta, passando por fazendas e uma fábrica de chocolate artesanal.
De origem amazônica e centro-americana, o cacau é produzido principalmente no sul da Bahia e, recentemente, agricultores do Pará têm investido pesado no cultivo do fruto – principalmente pela presença de grandes áreas disponíveis para o plantio, sem devastar a floresta. Aliás, o governo do Estado anunciou no final de 2007 um programa de fomento ao cacau, incluindo a distribuição de sementes, pesquisa técnica de incentivo à produção de cacau orgânico, voltada em grande parte para o mercado externo.
Atualmente, o Pará é o segundo maior produtor do país - só perdendo para Bahia - e pretende liderar o segmento num prazo de dez anos. Um fato curioso: de acordo com dados históricos, o cacaueiro foi introduzido na Bahia em 1746, pelo colono francês Luís Frederico Warneaux, que trouxe as sementes do Pará.
Por conta da vassoura de bruxa, praga que atinge as plantações do eixo Ilhéus-Itabuna e nas cidades vizinhas do litoral sul da Bahia, o Governo Federal criou no ano passado o Plano de Desenvolvimento e de Diversificação Agrícola na Região Cacaueira do Estado da Bahia, que foi logo batizado de PAC do Cacau. O projeto prevê a aplicação de R$ 2,2 bilhões até 2016, beneficiando cerca de 25 mil produtores locais, que formam o principal pólo de cultivo da amêndoa no país. Entre as principais iniciativas propostas pelo programa está o investimento em pesquisas e novos clones mais resistentes à vassoura de bruxa.
Fora os projetos governamentais de incentivo à produção do cacau no Brasil, outro tema amplamente debatido na mídia e que gera dúvidas na população, está relacionado à concentração de cacau presente no chocolate. Segundo o Ministério da Agricultura, o chocolate produzido e comercializado no Brasil deve conter, no máximo, 5 % de gordura vegetal e, no mínimo, 25% de cacau. Esses percentuais foram definidos em 2003 pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), que reúne as três maiores marcas do setor - Nestlé, Garoto e Kraft Foods (Lacta).
As opções disponíveis no mercado são diversificadas e quanto maior a concentração de cacau, mais amargo fica o sabor. Há quem não se agrade dessa “nova” composição das barrinhas de chocolate. Em termos medicinais, os benefícios são consideráveis: essa maior concentração de cacau significa a presença de mais flavonóides e polifenóis, substâncias com propriedades antioxidantes, responsáveis pela redução do depósito de gorduras nas artérias. A versão com 70% de cacau, por exemplo, é consumida não só pelos fiéis apreciadores da iguaria, como também por frequentadores de academia, já que a gordura é utilizada em menor quantidade.
Outro segmento que usa o cacau como matéria-prima, e tem se desenvolvido consideravelmente, é o de cosméticos. Os cremes e sabonetes à base do fruto, são responsáveis por uma hidratação intensa, indicados principalmente no inverno, época do ano em que nossa pele fica mais ressecada. Um exemplo disso é a empresa brasileira Natura, que criou produtos à base de cacau – da linha Ekos-, extraído de plantações da cidade de Ilhéus pela comunidade CABRUCA (Cooperativa de Produtores Orgânicos do Sul da Bahia). E não se pode esquecer do bom e velho batom feito à base de manteiga de cacau, receita das vovós contra as rachaduras nos lábios.
E em tempos de recessão, é inevitável não se lembrar de uma das principais propriedades do chocolate, ideal para a ocasião: o consumo da iguaria estimula a produção de serotonina no cérebro, substância ligada à sensação de prazer. Só cuidado para não exagerar na dose, senão o efeito pode ser contrário, em especial no caso das mulheres, consumidoras assíduas da guloseima nos períodos de TPM.
Seja para degustar – em barrinhas ao leite, com sabor amargo, branco ou preto, como bebida e outras tantas opções -, seja na versão de cosmético ou o que mais inventarem, esse verdadeiro “alimento dos deuses” (em grego, o nome científico do cacaueiro é Theobroma Cacao) originário das Américas merece essa homenagem, já que passou de vilão a mocinho.
Equipe Malagueta
Texto: Viviana Navarro
Foto do brigadeiro: Tatiana Almeida
Revisão: Juliana Esteves
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