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Amor de mãe começa na alimentação

A alimentação é uma atividade central da sociedade. Segundo a antropóloga Mary Douglas a refeição é um sistema de comunicação que reflete os relacionamentos entre grupos sociais. O primeiro envolvimento afetivo do indivíduo é por meio da comida e esta linguagem será utilizada para construir e manter outras relações ao longo da vida.

gravida_interna.jpgComida de mãe é uma especialidade superior a qualquer cozinha estrelada. Quando se pensa nessa figura, a imagem está associada aos pratos inesquecíveis, almoços memoráveis e sobremesas inigualáveis. A identidade da mãe é relacionada com a da provedora de alimento que sustenta o corpo e a alma. E a proposta desta semana é refletir sobre o relacionamento entre mãe e filho, o primeiro que o indivíduo constrói, baseado na alimentação.

É a nutrição que será o relacionamento entre a mãe e o bebê. A alimentação dá início ao ciclo de vida baseado em desenvolvimento e afeto. É um vínculo definitivo onde os hábitos alimentares da mãe vão influenciar diretamente o crescimento da criança no útero. E também poderão determinar suas preferências ao longo da vida, já que a mãe é a sua referência. Por isso, esse período pode ser propício para uma reeducação alimentar e novos hábitos com o bebê que está chegando.

É o que sugere o ginecologista Flávio Garcia de Oliveira, autor do livro Receitas para Grávidas (Ed. Idéias&Ação), ao explicar que a nutrição começa no momento da implantação. “O endométrio (camada interna do útero) está preparado para nutrir o blastocisto (que vai dar origem à placenta) até o momento em que se estabelece a circulação materno-fetal, por volta da quinta semana de desenvolvimento. Este é primeiro relacionamento feto-mãe, do ponto de vista físico, apesar de a circulação fetal não se misturar com a circulação materna”, afirma.

O aforismo de Brillat-Savarin, “Diga-me o que comes e te direi quem és”, serve para respaldar o período da gestação em que tudo o que a mãe consome é compartilhado diretamente com o bebê. Isso implica em uma mudança de atitude em relação à comida que vai permear o vínculo mãe-filho.  E para facilitar essa mudança, a gastronomia é responsável por trazer sabor, boa apresentação e refinamento na hora de consumir os nutrientes necessários.  “Devido à importância do tipo de alimento que a mãe ingere, você pode estabelecer uma relação direta de causa e efeito - o que mãe come é o que o feto come. Se a mãe se alimenta mal o feto também e vice-versa”, orienta.

Durante a gestação, a briga com a balança pode interferir na qualidade da alimentação. Para ambos terem um relacionamento saudável não dá para abrir mão de refeições regulares e enriquecidas com toda o tipo de frutas, verduras, grãos e cereais. “É fácil observar durante o pré-natal, através da mensuração do peso do bebê no exame de ulta-som”. “Quando a mãe faz regime, o bebê também faz e quando mãe excede na alimentação, o bebê também engorda mais que o normal (aqui estão os diabéticos do futuro)”, alerta o ginecologista e obstetra Flávio.

No livro ele propõe um plano alimentar para a gravidez e pós-parto. “Se a mãe come de forma adequada o bebê literalmente já começa a aprender a se alimentar”, diz. De forma didática o médico divide por trimestres o grupo de nutrientes necessários para cada fase, seguido de receitas gourmets. Nos primeiros três meses, o relacionamento é construído à base de ácido fólico e vitaminas do Complexo B. No segundo, é hora de investir em ferro e fibras; e no último trimestre, cálcio e ômega 3 (leite e derivados, peixe e linhaça).  De acordo com Flávio, além de nutrir a comunhão entre mãe e filho, a alimentação é fonte de energia e o objetivo primordial é o desenvolvimento e amadurecimento dos órgãos fetais.

Hoje, o estilo de vida saudável está pautado na escolha correta dos alimentos. A maneira como se come, as implicações culturais e as práticas sustentáveis revelam o perfil do comensal e sua ligação com o alimento do prato à mesa. Por isso, o período de gestação pode ser um exercício em busca de uma alimentação saudável, prazerosa e, principalmente, conectada com origem e tradições. A partir dessa reeducação alimentar, as futuras mamães poderão educar o paladar da nova geração e reconstruir os hábitos alimentar da família.

O médico Flávio sugere receita de frango para cultivar bons hábitos e nutrir com saúde o relacionamento:

Frango com batata-doce e laranja
Rendimento: 4 porções

Ingredientes
4 peitos de frango, sem osso e sem pele (aproximadamente 450g)
½ xícara de farinha de trigo
Sal e pimenta do reino moída a gosto
2 colheres (sopa) de óleo de oliva
1 xícara de batata-doce cortada em cubos
1 xícara de cebola picada
1 xícara de salsão picado
¾ de xícara de suco de laranja
½ xícara de caldo de galinha caseiro
¾ de xícara de suco de laranja

Modo de preparo
Corte o frango em pedados de 2 cm. Tempere e passe na farinha de trigo. Em uma panela de bordas altas, aqueça o óleo e doure os pedaços de frango. Retire e reserve. Adicione à panela a batata-doce, a cebola e o salsão. Cozinhe mexendo até a cebola dourar ligeiramente. Se necessário, adicione um pouco de caldo de galinha. Junte o suco de laranja, o caldo restante, as passas e os pedaços de frango. Tampe e cozinhe em fogo baixo por 25 a 30 minutos, ou até a carne ficar macia e a batata cozida.

Equipe Malagueta
Texto: Juliana Dias
Revisão: Juliana Esteves e Viviana Navarro
Edição de imagens: Carolina Amorim (Foto grávida de Minea)

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