Depois de perder a noite de abertura por um pequeno incidente, resolvi dar uma conferida no Oui Oui, novo restaurante da Chef Roberta Ciasca, aqui em Botafogo. Tirando o fato que o Miam Miam é um sucesso há 4 anos, o super trio - Roberta, Stef e Dani Camilo - apostaram agora num novo conceito. E que conceito!
Chegamos cedo, fato muito importante, pois semana passada estive por lá para dar um alô para Roberta e tinha uma lista de espera de nada mais nada menos que, 1 hora e meia…Ufa! Mas dei sorte!
A casa está divina, com as cores em harmonia num aconchegante espaço à meia luz, e som ambiente bem transado. Logo na entrada, fui recebida pelo Stef, batemos um papinho e fomos sentar do lado de fora, para curtir a noite agradável que anda fazendo aqui na Cidade Maravilhosa. E também por que lá dentro já estava lotado, imaginem! Chegou até nós o André, garçom simpático de cabelo bem descolado, a cara do Oui Oui. Olhamos o menu, um charme do começo ao fim e escolhemos, após alguns longos minutos duas mini porções. E tudo começou aí…Em seguida chegou a nossa Panquequinha de pato com figo seco. Ai,ai,ai…Uma covardia de tirar o fôlego. A louça era linda, um azulejo escuro dando destaque aos rolinhos perfeitamente arrumados sob um caramelo.
Enquanto esperávamos, conversa vai e conversa vem, o Stef veio outra vez, relembrei com saudades os tempos de Miam…e pronto! Chegou o mais famoso da casa: um Creme Brulée de Parmesão, acompanhado por um tenro e cheiroso pãozinho caseiro, tão quentinho. Nossa, nem dá pra explicar a sensação. Quebrei a casca (eu adoro isso) e mergulhamos naquela mistura dos deuses. O sabor era perfeito, a textura ideal e voilà! E isso era só o começo…
Pedimos o cardápio outra vez. Não dava pra parar ali, estava tudo tão emocionante que queríamos mais. Enquanto discutíamos os próximos, o André bem descontraído surge do nada nos oferecendo a sugestão do dia. Imaginem só: Trio de vieiras com um fino gratin de aipim e um guacamole (de um jeito que só a Roberta sabe fazer, com pedacinhos firmes e delicadamente cortados, tenros, bem separadinhos e temperados na medida exata!). Eu nem pisquei e já pedi pra mandar, e com ele viria também um Camarão com pupunha e zabaione. Já fazia um tempo que não comia vieiras. Sou fã de carteirinha! Mas sei que é difícil achar uma de boa qualidade, feita da forma correta. Fiquei pensando nisso.
Esperamos e logo logo chegou à nossa mesa 3 exuberantes vieiras, parecendo delicadas bailarinas num circulo perfeito. Feitas com carinho, da forma correta, tenras por dentro e com aquela cor dourada por fora. Meu Deus, o que era aquilo?! Fiquei chocada, minha boca se perdeu por alguns instantes e cheguei até a fechar os olhos para me concentrar naquele sabor único.
Nisso passa o Stef e me olha assustado. Tá tudo bem Mari? E eu disse: Bem? Está tudo no céu! Eu é que deveria ter comido as vieiras por último, pois não queria tirar o gosto delas da minha boca. E ele morreu de rir! O camarão com pupunha tinha um sabor único, com o toque do zabaione ficou à perfeição. Mas confesso que as Vieiras… Foram elas que ganharam a noite no quesito memória gustativa. Elas fizeram-me lembrar um outono refrescante passeando pelas ruas no fim de tarde. Sim, é possível que uma boa comida possa fazer isso com você. É só se permitir, ter sensibilidade e percepção.
Afinal, a comida precisa ser lembrança, ser prazer e ficar na memória. Fiquei de voltar para degustar a sobremesa e as vieiras outras vez. No final de tudo, ainda em nuvens, passei na cozinha, conversei rapidinho com a Roberta, com o Léon (sub chef) e saí de lá feliz da vida.
Oui, nós temos banquete! E dos deuses!
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