A primeira vista o Cachambeer é mais um clássico boteco do subúrbio, onde familiares e grupos de amigos das redondezas se reúnem em torno de um chope bem tirado e petiscos diversos. Mas não é só.
Ao chegar, você é recepcionado pelo gerente, um sujeito simpático, de sorriso cativante, que logo pergunta seu nome e para quantas pessoas é a mesa. Ele se chama Zé Soares, ou simplesmente Zé, na foto abaixo. E eu, em dois segundos, virei Fernandinha. Você pode até pedir para ver o cardápio, mas se é sua primeira visita a casa, esqueça outras opções além da costela de boi, petisco inscrito no concurso Comida di Buteco.
As peças ficam marinando por doze horas e depois assam por mais cinco no bafo, em churrasqueiras dispostas ali na calçada, exalando o cheirinho do assado que envolve a todos como num desenho animado. Impossível resistir. Ela nos foi servida pelo proprietário do bar, Marcelo Novaes, contador de histórias tal qual um bom dono de botequim, autor de declarações impagáveis, detentor da marca de 78 chopes num único dia (”mas era garotinho”, ah tá!).
A iguaria (sim, ela foi alçada ao posto de iguaria) fica com a carne tão macia, que se solta do osso por completo, em suculentas e saborosas lascas, servidas acompanhadas por nacos de cebola al dente e uma porção de aipim frito e macio. Como não conhecia esse lugar, essa costela? Sai de lá com essa pergunta latejando na minha cabeça.
Serviço: Rua Cachambi, 475, Cachambi, tel. 2501 8465
* Fernanda Thedim é crítica de gastronomia da revista Veja Rio e assina o blog D.O.C.
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