No próximo dia 19 de agosto é comemorado o Dia Mundial da Fotografia e o Informativo Malagueta conversou com os pioneiros desse segmento no país para trazer um panorama sobre a fotografia de gastronomia. O italiano Sergio Pagano se mudou para o Rio de Janeiro em 1986 para fotografar arquitetura e decoração em publicações como Cláudia, Casa Vogue, AD e Elle. Foi a partir deste mercado editorial que ele descobriu a gastronomia. Em 1987, a pedido do editor da revista Elle foi incentivado a fazer fotos de comida. “A estética da arquitetura e da arte trouxe um olhar mais apurado. Essa visão revolucionou o mercado, pois não se trabalhava com alimentos de forma mais artística”, explica Pagano.
Com mais de 20 livros publicados em parceria com grandes chefs como Claude Troisgros, Emanuell Bassoleil e Roberta Sudbrack, ele destaca que suas fotos não têm truque e procura registrar o sabor para instigar o público a comer com os olhos. De acordo com o fotógrafo, o prato dura, em média, 10 minutos, depois fica cansado e perde o brilho. “A imagem chega por último. Começo a fotografia na cozinha, dentro da panela do chef, aonde vejo a comida nascer. Cada prato deve ser pensado. Isso faz a diferença”, ensina. Ele conta que seu trabalho é contextualizado com o ambiente e a história do lugar, por isso, é adepto da luz natural e dispensa o estúdio fotográfico. “A vida que dá o contexto da imagem e sua estética suave”, conta. Pagano também ressalta a importância do próprio olhar do fotógrafo que marca o estilo do profissional.
Outro veterano dos editoriais de gastronomia é o paulista Mauro Holanda, que está no mercado há mais de 20 anos. Quando ingressou nessa área, ele lembra que apenas os estúdios faziam fotos de comida, direcionadas para a publicidade. E decidiu experimentar outros olhares para captar a comida da forma mais simples possível, respeitando o alimento. “Não tínhamos referências e fomos testando o jeito certo de produzir fotos apetitosas no estúdio de cozinha da editora Abril”, afirma. Holanda conta que, ao partir na direção contrária da publicidade, percebeu que seu trabalho não atendia à necessidade do segmento. Entretanto, a expansão do mercado de alimentação abriu novas oportunidades. Em seu portifólio estão os bastidores de restaurantes como D.O.M., Paul Bocuse, La Tambouille, Pomodori, Arpège, Troisgros, entre outros.Ele prefere trabalhar com o chef e diz que sua foto não passa de cinco minutos. “Tem que ser rápido, pois estamos fotografando comida de verdade”, comenta. “O prato fotografado tem que ser mais caprichado. O ideal é mostrar a autenticidade”, justifica. Os truques não fazem parte de sua linguagem, apenas alguns retoques para embelezar. Muitos chefs não sabem montar o prato, por isso, o olhar do fotógrafo auxilia na apresentação. “É preciso entender para que serve a imagem da comida e como pode instigar através da divulgação”, ensina Holanda, que já ministrou workshops para estudantes de cozinha. Hoje seu trabalho está voltado para revistas, material de divulgação e publicidade nos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. Segundo ele, essa área está em busca de uma visão mais refinada, transformando produto em comida. “A publicidade mudou o seu olhar, antes o meu trabalho não tinha valor. Até porque o chef também não existia e a figura central do restaurante era o maitre. Agora virou moda”, completa.
O jornalista carioca Alexander Landau iniciou sua carreira em 1987. Depois migrou para fotografia de decoração e música. Ele acompanhava a gastronomia através da revista Gula e achava interessante o trabalho de um amigo que fazia fotos para display de padaria. Numa visita a São Paulo, Landau decidiu procurar o editor da publicação, J.A. Dias Lopes. No portifólio, o tema decoração predominava, salvo pelas fotos de hambúrguer, sorvete e vinho. A partir daí, começou a trabalhar para a revista em 1997. A primeira foto foi da inauguração do Garcia & Rodrigues, no Rio de Janeiro. De lá pra cá assinou trabalhos para Casa Cláudia, Casa Vogue, Prazeres da Mesa, além de 7 livros publicados, sendo 6 pela Senac-Rio. A experiência com livros trouxe novas oportunidades. Hoje, Landau fotografa a divulgação de chefs como Nao Hara e Felipe Bronze para grandes assessorias de imprensa. As agências de publicidade também estão buscando essa linha gastronômica. “Considero que há uma demanda por uma visão autoral, onde o fotógrafo imprime sua assinatura”, explica. É o caso do projeto de mudança do menu board e back light da rede Bob’s. “Utilizei recursos como contraste na luz e foco seletivo e cortes nos pratos”, diz. Ele observa que o Mc Donald’s, por exemplo, está investindo nesse olhar gourmet. Landau também percebe o interesse pela fotografia de gastronomia através do workshop que ministra no Ateliê da Imagem. “Podemos explicar a técnica, mas somente com a experiência, o senso estético e as referências, o profissional poderá ingressar no mercado. Hoje qualquer um que tem câmera digital e sabe mexer no photoshop se lança nessa área”, aponta. Como toda profissão desejada, ele diz que os alunos imaginam um trabalho de glamour, alta remuneração e almoços e jantares em lugares como Gero e Fasano. Aos 40 anos de idade, diz que ainda sente aquele frio na barriga. “Vejo isso como positivo para o crescimento profissional. Se você acredita que já chegou ao topo, então está morto”, conta.
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agosto 18th, 2009 às 0:21
adorei ver a foto das minhas profiteroles lindamente clicadas pelas lentes sensíveis do fotografo poeta Mauro Holanda!