Começou no dia 16 e vai até o dia 22 de novembro a Semana Global do Empreendedorismo, que acontece, simultaneamente, em mais de 90 países. Palestras, workshops, jogos, feiras e outras iniciativas têm a tarefa de despertar a atitude empreendedora. E a cozinha também é lugar de engajamento, oportunidade e inovação.
O ofício é uma das portas de entrada para o mercado de trabalho, onde é possível seguir caminhos alternativos, depende da criatividade e disposição.
De acordo com dados da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), o setor de alimentação fora do lar é responsável por 27% dos primeiros empregos dos brasileiros. Ao todo, somam 6 milhões de vagas diretas em mais de 1 milhão de estabelecimentos no país.
Esta semana, o Informativo Malagueta apresenta um exemplo bem sucedido de empreendedorismo com o intuito de inspirar jovens aspirantes a cozinheiros. O primeiro emprego do paulista Kiko Faria, 29 anos, foi na rede Fasano, em São Paulo, quando completou 18. Ele começou como auxiliar de cozinha no Gero Café e, hoje, é um dos sócios do restaurante Quadrifoglio, reinaugurado em 2009, no Rio de Janeiro.
Em apenas cinco meses à frente de sua própria cozinha foi eleito Chef Revelação, pelo Guia Comer & Beber, da revista Veja Rio. Em entrevista, ele fala de sua trajetória sem deslumbramento e com a tranqüilidade de que ainda tem muito a conquistar.
Informativo Malagueta – O que fazia antes de ingressar na cozinha?
Kiko Faria – Eu não fazia nada. Tinha acabado de terminar o segundo grau e tentei faculdade, mas não passei. Estava morando em Minas Gerais com minha família desde os sete anos. Aos 18, decidi voltar para São Paulo e procurar trabalho. Comecei como auxiliar de cozinha no Gero Café e, em quatro anos, cheguei ao posto de cozinheiro. Há cinco anos me convidaram para inaugurar o Gero Café no Rio. Depois, ocupei o cargo de subchef, quando o Fasano Al Maré foi aberto na cidade.
I.M. - Você tinha planos de comandar sua própria cozinha?
Kiko Faria – Desde o começo busquei ser bom naquilo que faço. Não tinha planos de ser reconhecido como chef ou até abrir restaurante. Queria que as pessoas me reconhecessem pelo bom trabalho, aquele cara que sabe executar bem sua tarefa. Não queria ser tratado como mais um cozinheiro. Em todas as áreas que passei deixei uma marca. Tenho muito ainda a colher. Quanto melhor você fizer hoje, terá ainda mais retorno amanhã.
I.M – O que fez para se destacar em seu trabalho?
Kiko Faria – Tudo que aprendi foi por iniciativa própria. Chegava duas horas mais cedo para aprender a fazer outras funções. Fiquei 4 meses lavando prato, mas estava de olho na preparação da salada. Prato qualquer um lava. Depois da salada, fui dominando cada fase até a comida chegar à mesa. Teve uma época que eu não tinha função específica. Era um coringa. Sempre que faltava alguém eu era solicitado. Isso foi bom para o meu crescimento. E na rede Fasano tinha liberdade para conhecer outras áreas, desde que não deixasse a minha função de lado. Foram 12 anos de muito aprendizado. Essa foi a minha escola. Hoje, incentivo meus funcionários a fazer o mesmo. Digo que ele têm que se dar um pouco mais. E não é para mim, não. É para eles. Quanto tiverem uma oportunidade, saberão como fazer. É importante ter uma base, saber pelo menos como se faz. Assim, vai reunindo informações para dar um salto maior.
I.M – Você tinha alcançado estabilidade e reconhecimento na rede Fasano. O que te motivou a ir além e encarar o desafio de ter um restaurante?
Kiko Faria – A oportunidade. Sempre trabalhei com o Lomanto Oliveira que era da confeitaria, em São Paulo, mas não tive muito contato com ele. Quando viemos para Rio, fiz estágio na confeitaria e nos aproximamos. Começamos a conversar sobre abrir um restaurante e fazíamos pratos diferentes para testar, sem compromisso. Não tinha dinheiro para abrir um negócio. Já o Francisco Pereira, que trabalhou como maître há muito tempo no Fasano, tinha interesse em montar um restaurante junto com o sommelier Luiz Carlos. Fui o último a entrar no time. Tudo aconteceu naturalmente.
I.M. – O Quadrifóglio tinha a marca da chef Silvana Bianchi, que há mais de 20 anos era referência de boa comida italiana no Rio. Como fez essa transição sem perder a boa fama da casa?
Kiko Faria – Foi um desafio. Não abrimos o restaurante do zero. Digo hoje que a gente agiu na inocência, não pensamos em nada disso. E foi a coisa certa. Tinha o estilo da Silvana. Não podíamos mudar tudo por respeito a trabalho da chef e também pela clientela mais conservadora. Também não podíamos errar por conta da cobrança de os quatro serem ex-funcionários do Fasano. E ainda precisávamos resgatar clientes. Me senti em um buraco com um monte de gente atirando pedra. Para não falhar, optamos por um cardápio básico e bom. Antes de assumir a cozinha, freqüentávamos o restaurante e fazíamos alguns pratos para testar e sentir a receptividade do público.
I.M – Em seis meses à frente do Quadrifóglio você foi eleito Chef Revelação pela Veja Rio. Qual o peso desse reconhecimento na sua carreira?
Kiko Faria – O reconhecimento foi bom para gente. Tinha esperança porque estava entre os indicados. Entrei no restaurante na hora certa e com bagagem para dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido. Não fiz mudanças radicais, mudei o visual e a textura de alguns pratos, busquei valorizar o que já era sucesso no cardápio e conseguimos trazer a clientela. É fruto de um trabalho em equipe e com consistência. A turma da cozinha é muito boa. São 17 pessoas. Todas as sobremesas, pães, sorvetes são feitos na casa. Compramos só a matéria-prima. Os peixes, por exemplo, são limpos e porcionados, temos o controle de tudo o que é preparado.
I.M – A cozinha entrou por acaso na sua vida. E o que ela hoje representa para você?
Kiko Faria – Hoje a cozinha é tudo para mim. Não penso em parar porque gosto do que faço. É uma profissão que requer tempo e carinho, pois trabalhamos para os outros o tempo todo. Mesmo naquele domingo de sol em que você abre o restaurante e atende só dez pessoas. Quero vê-las satisfeitas e que retornem. A missão é todo dia, batalhando hoje para amanhã. Temos interesse em abrir outras casas com estilo diferente para conquistar novos clientes.
I.M – Qual a receita para ser um empreendor?
Kiko Faria – Tente ser o primeiro a fazer e faça bem o que vem a sua mão. Empregue amor e tenha objetivo na vida. A cozinha oferece várias oportunidades, não é só no restaurante. Tem que abrir o leque. Não adianta fazer várias coisas bem. Procure algo que você se identifique e mantenha o foco. Eu me encontrei na gastronomia. Não esqueça a disciplina. Dê o coração e tudo dará certo.
Equipe Malagueta
Texto: Juliana Dias
Edição de imagens: Carolina Amorim
Revisão: Vanessa Souza Moraes
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março 7th, 2010 às 18:53
Adorei…Bom tdo de bom pra vc!!! Vc merece isto e muito mais!! Bjus