O brasileiro aprendeu a escolher azeite extra-virgem e observar a acidez no rótulo. Agora, as prateleiras exibem outras especifidades como o tipo de azeitona, os chamados monovarietais, blends especiais e produção orgânica. Assim como o vinho, o café, o chocolate e a
cerveja e, apreciar o líquido dourado exige conhecimento e paladar apurado. São aromas intensos, frutados e terroir, que podem ser harmonizados da entrada à sobremesa. Aquele fio de azeite na salada ganhou personalidade. Está na esteira dos produtos gourmet e de origem. E para circular entre os ingredientes gastronômicos, ganhou design sofisticado. Pode reparar nas mesas dos restaurantes mais antenados, o azeite não é mais o mesmo.
O mercado brasileiro recebeu em 2009 novas marcas de países como o Chile, que iniciou sua produção na década de 90 e hoje coleciona premiações internacionais. É o caso do azeite 1492 com três tipos de azeitonas: picual, arbequina e frantoio; e do Oromaule, que apresenta blend com olivas selecionadas. Além de extra-virgem são 100% monovarietais. A produção é feita na região do Maule, pela Olivares de Quepu. Esse ano, o 1492 recebeu medalha de ouro na edição da Los Angeles International Extra Virgin Olive Oil Competition.
De acordo com a empresária Ana Luisa Bernacchi, proprietária da importadora ASA Alimentos, o Brasil foi responsável por 33% das exportações de azeite do Chile esse ano. Tanto o 1492 como o Ormaule estão disponíveis em 10 restaurantes cariocas, como Aquim e Garcia & Rodrigues, além de cinco pontos de venda para o consumidor, no Rio de Janeiro. Desde agosto de 2008, quando ingressou nesse mercado, Ana destaca que apresentou o produto como um diferencial de ingrediente e não uma comodity. Ao longo de 2009, constatou o investimento em comunicação por parte de outras marcas. Informações como origem, tipo de azeitona e colheita passaram a ter peso na divulgação desses produtos.
A empresária observa que o mercado está curioso com os azeites especiais. Por isso já deu mais um passo a frente. Ana iniciou a importação do azeite espanhol LA Organic, produzido na região de Andaluzia, na Espanha. Seguindo a tendência de luxo gourmet, o blend é assinado pelo enólogo Michel Rolland, tem design assinado por Philippe Starck e é orgânico. Para 2010, ela está otimista. “O mercado estará mais competitivo com novas marcas e o consumidor poderá fazer a seleção desses azeites disponíveis”, comenta. A expectativa é vender 16 toneladas e marcar presença em 50 pontos do Rio.
Comunicação com enfoque gastronômico
Há 15 anos no mercado nacional de azeites, a marca espanhola Borges azeitou sua comunicação esse ano. Até a próxima Páscoa pretende investir 1 milhão de euros em mídia impressa e campanha de TV. Segundo Bernardo Pontes, diretor de marketing para a América Latina, os últimos meses registrou crescimento de 30%, sendo o melhor desempenho da marca no país. A linha também foi ampliada com 10 tipos de azeites aromatizados, assinados por Ferran Adrià. E também conta com três tipos de monovarietais (arbequina, hojiblanca e picual), além de orgânicos.
Os portugueses também comemoram bons resultados em 2009 com produtos especiais. A Qualimpor trouxe oito variedades do azeite Esporão, da Herdade do Esporão, no Alentejo, que também produz vinhos. Apostando em versões sofisticadas e no design, a seleção também inclui, orgânicos, blends selecionados e monovarietais (Cordovil). Para o importador e proprietário da vinícola Jorge Roquete, o paladar do brasileiro está amadurecendo e afirma que esta evolução será mais rápida que o vinho. Ele registra crescimento de 35% em 2009.
A formação do consumidor e a capacitação profissional são fatores importantes para a comunicação. Atento a essa demanda, o Centro de Gastronomia do Senac Rio promoveu no segundo semestre o curso de Sommelier Internacional de Azeites com o especialista Mauro Martelossi, em parceria com o International Olive Oil Agency. Agora, o Senac também abriga uma Elaioteca Internacional – coleção de azeites doada pela Olive Oil Agency. A maioria não está à venda no mercado nacional. Ficará à disposição para a visitação e será usada para fins didáticos.
O mercado editorial também reforça a boa safra para os azeites especiais. Na próxima quarta-feira, dia 09, a jornalista Rosa Nepomuceno lança o livro “Um Fio de Azeite – no cenário da Úmbria e da Toscana” (Ed. Casa da Palavra e Senac Rio). O projeto é fruto de uma viagem à Itália e as receitas que compõe o livro foram recolhidas no percurso e adaptadas pelo chef Marcelo Scofano. O lançamento acontece no supermercado Zona Sul do Leblon, a partir das 19h.
A experiência gastronômica promove essa descoberta dos sabores. Um ingrediente corriqueiro pode ganhar propriedade suas qualidades forem exploradas. Para quem aprecia a boa mesa, não há de faltar matéria-prima para incrementar essa viagem cultural e fascinante chamada refeição.
O Informativo Malagueta também publicou uma série sobre azeites, assinada pelo gastrônomo Paulo A Lima, autor do blog Estilo Gorumand. Vale a pena conhecer esse terroir:
Cornicabra, a azeitona mais importante da D.O. de Madrid
Texto: Juliana Dias
Fotos e edição de imagens: Carolina Amorim
Revisão: Vanessa Souza Moraes
Informações: Valor Econômico e Globo Economia
Imprimir este Post


