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O ano da Biodiversidade

Depois de um mês em recesso, o Informativo Malagueta está de volta para acompanhar os principais acontecimentos do setor de alimentação, bebidas, turismo e gastronomia. E, para começar, vamos movimentar essa cozinha com o tema que vai nortear 2010, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Esse é o Ano Internacional da Biodiversidade

bananeira.jpgO objetivo é chamar atenção para a extinção de espécies animais e vegetais. De acordo com dados da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD), órgão da ONU que trata do problema, a taxa de perda de espécies chega a cem vezes à da extinção natural. E vem crescendo exponencialmente.

A abertura internacional do ano temático aconteceu entre os dias 6 e 9 de janeiro, durante a Segunda Reunião de Curitiba sobre Cidades e Biodiversidade. Cerca de 90 autoridades e especialistas ambientais de 11 países participaram do evento na capital paranaense. O encontro foi preparatório para a Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica (COP 10), que será realizada em Nagoya, no Japão, no mês de outubro.

O índicie da Biodiversidade foi um dos destaques da programação, que será apresentado na cidade japonesa. A proposta surgiu em Cingapura e vem sendo testada por sete cidades: Curitibal, Nagoya, Montreal e Edmonton (Canadá), Junoon Dalup (Austrália) e Bruxelas (Bélgica).

O índice conta com 25 indicadores que avaliam desde a área verde, parcerias com instituições e até o orçamento dos municípios destinado a projetos de biodiversidade. Cada indicador tem quatro pontos, que somados totalizam 100 pontos. Quanto mais pontos, melhor a biodiversidade de uma cidade. Num resultado preliminar, Curitiba obteve nota 80 na avaliação dos indicadores.

bananeira.jpgA COP 10 vai avaliar os resultados das ações propostas para preservar a biodiversidade, durante a conferência de 2002. Vários países assumiram metas para serem alcançadas até 2010.  Mas tudo indica que a avaliação será frustrante, assim como a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que aconteceu em Copenhague. Para Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, é preciso utilizar metas mais confiáveis e usar indicadores mensuráveis. Ele afirma que um dos pontos fracos são os indicadores.

Joly coordena o programa BIOTA-FAPESP, que há dez anos coleta dados sobre a biodiversidade no Estado de São Paulo. Cerca de 2 mil espécies já foram catalogadas na região. “Não sabemos quase nada sobre o Brasil, a última lista oficial da flora brasileira é de 1908. Há somente levantamentos regionais”, explica.

Segundo Roberto Gomes de Sousa Berlinck, do Instituto de Química de São Carlos (USP), preservar as diversas espécies é uma forma de manter e de garantir qualidade de vida também para as gerações futuras. “No entanto, é preciso que populações e governos conheçam o decréscimo crônico da biodiversidade e tomem iniciativas”, afirmou.

O Japão, sede da conferência, opõe tradição e preservação. A caça às baleias, costume praticado desde à Idade Média, resiste às pressões internacionais. E de acordo com o ministro das relações exteriores, Katsuya Okada, o país não planeja mudar sua política sobre o assunto. Em Tóquio não é fácil encontrar carne de baleia e as novas gerações não têm interesse pelo prato. Mas ainda há restaurantes que vendem o produto. Em cidades menores é fácil achar em supermercados e a carne de baleia é até fornecida em escolas públicas.

bananeira.jpgO Slow Food, que completou 20 anos em 2009, atua com dois projetos por meio da Fundação Slow Food para a Biodiversidade. O primeiro é a Arca do Gosto, catálogo que localiza, identifica, descreve alimentos ameaçados de extinção. Desde 1996 já foram contabilizados mais de 750 produtos em vários países. No Brasil, 13 fazem parte da Arca, como a farinha de batata doce dos índios Krahô, o pirarucu e o arroz vermelho.

O segundo projeto é a Fortaleza do Gosto, que visa potencializar gastronomicamente e comercialmente os alimento ameaçados. Na Itália, sede do movimento, existem cerca de 200 Fortalezas, além de 75 internacionais, como o Arroz Bario da Malásia e o Queijo Oscypek polonês. Por aqui, nove alimentos são protegidos pela fundação, entre eles, o Feijão Canapu, o Néctar das Abelhas Nativas e a Castanha de Baru.

A celebração do Ano da Biodiversidade acontece em todo o mundo com atividades diversas, que podem ser acompanhada pelo site. No Brasil, há um encontro programado para o dia 24 de junho, em Brasília. Em apurações com o escritório da UNESCO Brasil, as atividades comemorativas ainda serão definidas. Ao longo do ano vamos acompanhar as ações em prol da data e promover os temas principais para a preservação da biodiversidade: crescimento das cidades X escassez dos recursos naturais, impacto das alterações climática e soluções sustentáveis de planejamento urbano.

Equipe Malagueta

Texto: Juliana Dias
Fonte: O Globo, Agência Fapesp
Fotografia: Carolina Amorim
Revisão: Mariana Moraes

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