Recentemente o caderno Dinheiro, da Folha de São Paulo, publicou um artigo sobre como evitar o choque cultural nos negócios com a China. Um dos advogados entrevistados deposita no ritual do banquete a importância de um bom começo de qualquer relação comercial. Nos diversos brindes com baijiu, a aguardente chinesa - “que é visto como um ritual bizarro, e nada amistoso com o fígado -,
é uma tentativa de criar laço de amizade, a partir do qual ele se sentirá seguro”. A hospitalidade no ambiente doméstico e comercial como meio de estabelecer e manter relações sociais, é confirmada aqui nos negócios além mar.
No ato da alimentação em conjunto (comida e bebida), conhecemos bem, e melhor, uma localidade assim como uma casa. Ou ainda, as pessoas. Neste caminho, das cidades, na banca de Trabalho de Conclusão de Curso de Turismo/USP o pequeno grande chef André Ahn (tem o curso de gastronomia, sempre como aluno destaque) trabalhou “A importância da gastronomia para o turismo em São Paulo”. O tema levou a orientadora, dra. Célia Dias, o professor dr.René Nascimento, André e eu a concluir que na carência de roteiros receptivos especializados o bom, o diferente, o especial, o bem feito, se destaca e atrai o turista independente de itinerários formatados.
Aproveito para pedir desculpas. No último artigo ninguém me corrigiu quando afirmei que o rei dos cozinheiros, o cozinheiro dos reis era um epíteto de Escofier. E era mesmo, só que dele e de outros merecedores, cada um em seu momento.
A todo tempo existem alguns tão bons, mas tão bons cozinheiros, que os reis querem provar da sua comida. E assim vamos pela história adentro deparando com eles. No livro sobre Carême, de Ian Kelly, o subtítulo é: o cozinheiro dos reis. Graças a Deus que nos envia estes talentos. André, talento que encontrou o caminho, estagiou no D.O.M. e contou-nos que, antes mesmo de chegar no Brasil, celebridades assim como reis marcam sua refeição, como o rei das cozinhas brasileiras, o chef Alex Atala.
Boas refeições são momentos em que podemos nos sentir verdadeiros reis e rainhas. À mesa com Teresa Corção (restaurante O Navegador, Rio de Janeiro/Melhor 2009 Danúzia Bárbara) comendo Polenta com frango e quiabo, senti-me uma rainha, no sabor e na companhia. Teresa é uma mulher para muitos talheres, não pára de pensar, de criar, contagiar entusiasmo e sabedoria, um encanto. No Instituto Maniva, ela usa a gastronomia como instrumento de transformação social, unindo o prazer e ética na alimentação, com sua semente no Projeto Mandioca, projeto-piloto de oficinas de goma e tapioca em escolas públicas.
Na casa sempre hospitaleira da Rosa Belluzzo, a conversa girava em torno de memórias gastronômicas de São Paulo. Foi lembrado do Atico, maitre do Grand Hotel Ca’d’oro, o primeiro hotel cinco estrelas de São Paulo e hoje, no grupo Fasano, segue seu talento imortalizado como um monumento na gentileza e categoria, um imperador na sua função. Na lembrança destes marcos gostava de ir à capital paulista e hospedar-me lá, quando já não era tão caro. O serviço de quarto com as roupas de cama sempre engomadas… Talvez na minha esperança de que se houvesse um grão de baixo do colchão eu pudesse senti-lo… Será complexo de princesa?
Elsa Maria é assistente social e mestre em Turismo e Hotelaria pela Faculdade Bagozzi, em Curitiba (PR).
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março 10th, 2010 às 17:28
Adorei o post… a relação comida e hospitalidade precisa ser tratada com a seriedade que merece… Comida… Turismo… Hospitalidade…
Enquanto “facilitadora” das “relações negociais”, a comida exerce um papel fundamental… partilha… partilhar o ato de comer aproxima, em regra.
É isso aí, pessoal… abraços!!!
Karen Monteiro
comidafala