As discussões sobre o futuro da alimentação em diversos momentos da História da civilização é sangrenta, está centrada no consumo de carne vermelha. Política, ecologia, população, poder e previsões passam pela quantidade de bifes que se poder por à mesa.
No livro “O que iremos comer amanhã?” (Ed. Senac), o historiador norte-americano Warren Belasco apresenta uma linha do tempo com as principais correntes pró e contra o consumo da proteína de origem animal ao longo dos anos.
A concepção de progresso e civilização está atrelada ao hábito alimentar.Para um grupo, comer carne representa riqueza, soberania e evolução. Para outros, o nível máximo de refinamento e compreensão do mundo não passa perto dos pastos. O desafio de alimentar uma população crescente coloca em questão fatores como a ocupação de terras cultiváveis e destinada às pastagens, o equilíbrio ambiental e a escassez de recursos naturais., que protegem os campos do desmatamento indiscriminado. Por dividir ruralistas e ambientalistas, o código gera polêmicas, principalmente em ano eleitoral.
O dilema “comer ou não comer carne” permanece vivo na relação contemporânea com a alimentação. Para incrementar essa dúvida crucial, problemas como produção de biocomustíveis e área para cultivo de monoculturas a serviço da agricultura industrial. No Brasil, há algumas questões em torno do consumo de carne em evidência. Em debate, o Código Florestal ameaça restringir a área de criação de bovinos em favor das reservas legais.
Para colocar ainda mais lenha na fogueira, o Ministério Público Federal do Pará lançou a campanha Carne Legal, no início de junho. O movimento estimula o consumo consciente na produção de bovino, e é um alerta sobre as ilegalidades presentes na cadeia da pecuária. Também defende a necessidade de os consumidores cobrarem informações a respeito da origem da carne que compram nos supermercados.
O Grupo Pão de Açúcar saiu na frente nesta corrida sustentável do bife. A partir desse mês já é possível encontrar carne bovina rastreada. Sob a marca Taec, o produto traz um selo 2D, pelo qual o consumidor poderá acompanhar o processo da cadeia produtiva da carne - do nascimento e engorda até o abate e a desossa dos animais. O projeto teve início há três anos e envolve 40 fazendas. As informações podem ser lidas a partir de um aplicativo para smartphones com leitor 2D ou pela internet, com a inserção do código do produto.
Da política ao supermercado, um suculento corte de picanha ou alcatra pode ameaçar o futuro do planeta. O esforço político está em reconstruir a cadeia produtiva de forma sustentável. E nessa perspectiva, comer carne pode também ser um ato distinto e sofisticado. Basta reparar os cortes e origem do gado em casas especializadas. Sim, o boi também entra na esteira dos produtos gourmet e de terroir. Peças da Austrália, Uruguai, Argentina e Japão disputam o paladar do comensal carnívoro, que aprecia detalhes como níveis de gordura, raça, idade e se interessam pelo tipo de alimentação e tratamento que os animais recebem.
Segundo Belasco, ao falar sobre a centralidade da carne, existem muitos interesses implícitos: raça, gênero, progresso, lucro e poder. Por isso, medidas políticas e econômicas devem ser acompanhadas de perto pela sociedade, que come e não come carne. Do pasto, se alimentam não só os bichos, mas o futuro da humanidade. No livro do historiador, ele escreve: “porque tanta coisa depende do jantar, especialimente aquele à base de carne e batatas?”.
Equipe Malagueta
Texto: Juliana Dias
Edição de imagens: Carolina Amorim
Revisão: Vanessa Souza Moraes
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