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É um saco!

O estilo saudável do carioca conta agora com mais uma iniciativa em prol da qualidade de vida. Há uma semana está em vigor no Estado do Rio de Janeiro a Lei das Sacolas Plásticas, pioneira no Brasil por instituir o desconto de 3 centavos para o consumidor que recusar o uso do saco, e a troca de 50 sacolas por itens da cesta básica, como arroz e feijão. A proposta do ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, também prevê a substituição por ecobags. O modelo adotado é baseado na experiência do Walmart Brasil.

sacola.jpgA utilização das sacolas não é o principal problema ambiental, mas o volume descartado no solo já causa problemas na flora e na fauna marinha em todo o mundo. O pesquisador da Embrapa Solos,  Ricardo Trippia, destaca que além dos resíduos de metais pesados, o saco acumulado em áreas restritas, como os lixões, compromete, gradativamente, o desenvolvimento da agricultura. Assim, a germinação de sementes ou o crescimento de plantas podem sofrer interferência devido ao excesso de plásticos. “A lei serve para estimular a sociedade a reduzir o impacto desse material na natureza”, diz Trippia.

Minc, autor do projeto, informou em entrevista ao jornal O Globo que a lei será um divisor de águas no comportamento do consumidor. Os supermercados terão fiscalização e podem receber multas que variam de R4 201,83 a R$ 20.183. Por enquanto, a legislação vale para estabelecimentos de grande porte. As empresas de pequeno porte terão mais um ano para se adaptar. E as micro empresas só daqui há dois anos. De acordo com a Associação dos Supermercados do Rio de Janeiro (Asserj), o Estado usa e descarta por mês cerca 200 milhões de sacos plásticos. A associação estima redução de 40% no prazo de seis meses.  A rede de supermercados Carrefour anunciou que vai eliminar  os sacos até 2014. Os consumidores que não levarem suas ecobags podem usar gratuitamente caixas de papelão.

Em apenas sete dias, a nova regra causa polêmica. A Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomercio-RJ) entrou com liminar  que pede a suspensão dos efeitos da lei. A organização alega que o texto foi mal redigido,  há vários pontos inconstitucionais e o seu impacto não foi medido em toda a cadeira produtiva. Entre as divergências, estão o ciclo de reciclagem do Estado que ainda não está implantado e os encargos para o empresariado.

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Socorro vem da agricultura
O saco poderá ser substituído por alternativas similares, mas com apelo sustentável. Pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (PR) transformaram o amido de mandioca em sacolas plásticas e bandejas. O plástico se decompõe em apenas seis meses, se estiver em condições ideais. O convencional pode demorar até 400 anos para ser eliminado do meio ambiente. A universidade busca parceria com o setor privado para produzir em escala industrial e baraetar custos.

Desde 2008, um grupo de pesquisadores, coordenados pelo engenheiro agrônomo Carlos Wanderlei Piler de Carvalho, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos, se dedica ao estudo de filmes plásticos biodegradáveis e comestíveis para embalar frutas. A pesquisa também é com base em amidos como milho, mandioca e batata. Os resultados obtidos até o momento foram relativos ao caqui. “Em relação à vida útil, conseguimos conservar por até 42 dias um caqui inteiro com uso de filme comestível e armazenamento refrigerado”, completa Wanderlei. De acordo com o coordenador, outras quatro teses sobre o assunto estão em andamento, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e no  Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Outra fonte para as sacolas é a cana de açúcar, matéria-prima alvo de grande interesse da indústria. A multinacional americana Dow Chemical corre o risco de engavetar o projeto  de US$ 1 bilhão, que prevê a construção de uma fábrica integrada de álcool químico para a produção de resina termoplástica no Brasil, o plástico verde. A companhia já conversou com diversos grupos sucroalcooleiros, mas ainda não encontrou um parceiro forte que ajude a bancar esse complexo.

A Braskem inaugura este semestre sua unidade de plástico verde em Triunfo, no Rio Grande do Sul. A companhia petroquímica decidiu comprar matéria-prima (etanol) de usinas, como a ETH Bioenergia e a Cosan, e industrializar o produto em sua própria fábrica. Mais um destino para o disputado etanol.

ecobag.jpgEcobags: utilize com atenção
Agora é moda desfilar de ecobags em modelitos fashions. Qualquer supermercado já tem seu modelo e as empresas investem na sacola ecológica para transmitir seu marketing ambiental. Entretanto, um estudo americano sugere que as bolsas são foco de contaminação por bactérias como E. coli. Os cientistas analisaram 84 sacolas de consumidores em Tucson, Los Angeles e San Francisco. De acordo com a pesquisa, 97% das pessoas nunca haviam lavado as sacolas. Uma limpeza bem feita poderia matar quase todas as bactérias, informou Charles Gerba, professor da Universidade do Arizona e coautor do estudo, em reportagem publicada pela Folha de São Paulo. Também foi sugerido lavar as sacolas toda semana e promover campanhas de informação.

O saco é um saco!
Esse é o mote da campanha lançada pelo Ministério do Meio Ambiente. Baseada em três Rs (Recuse, Reduza e Reutilize), a proposta é estilmular os consumidores a ter compromisso com o descarte de plásticos. Com blog, vídeos e notícias o endereço reúne conteúdo para informar o cidadão sobre a responsabilidade do saco. Na seção Perguntas Frequentes, a campanha esclarece que os sacos de lixo são feitos de materiais recicláveis. Por isso, devem ser utilizados. Já as sacolas, por determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária),não podem ser confeccionadas com material reciclado porque entram em contato com alimentos. Assim, cada sacolinha é uma nova sacolinha, feita de matéria-prima virgem.

A medida pioneira no Estado do Rio está em sintonia com uma tendência global de eliminar o vilão plástico, mas se não houver comprometimento, todo o trabalho vai para o saco. E se o discurso não caminhar com a prática, o cosumidor ficará de saco cheio.

Texto: Juliana Dias
Edição de Imagens: Carolina Amorim (Fotos Getty Images)

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